CNB-SP realiza edição extra de Grafotécnica em Barueri



Curso teve recorde de público, reunindo mais de 90 pessoas em Alphaville

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Neste sábado (12.12), foi realizada pelo Colégio Notarial da Brasil – Seção São Paulo (CNB-SP) a edição extra do curso de Grafotécnica e Documentoscopia, em Barueri. O evento teve recorde de público, recebendo 98 pessoas, entre tabeliães e seus funcionários. O convidado para ministrar a palestra foi o perito e professor, Luiz Gabriel Passos, responsável pelo curso desde julho deste ano.

Para abrir o evento e dar as boas vindas, Ubiratan Pereira Guimarães, presidente do CNB-SP e 1º Tabelião de Notas de Barueri, falou a todos que “o produto do tabelionato é a segurança jurídica, muitos não entendem, mas nós sabemos o risco que se corre quando uma firma autenticada é falsa”, disse. “Para a sociedade essa segurança é muito séria, como o oxigênio que não vemos e não nos damos conta de sua importância até o dia que não respiramos bem”, exemplificou.

Presidente do CNB-SP, Ubiratan Guimarães, deu as boas vindas aos participante no sábado (12/12)

O palestrante iniciou sua apresentação dizendo que “o verificador rápido no cartório é responsável pelas falsificações grosseiras. As boas falsificações são para os peritos e os tabeliães sabem disso”. Passos explicou também que os documentos de identidade não têm todos os padrões nacionais, apenas a Carteira Nacional de Habilitação.

O palestrante mencionou o projeto que pretende instaurar o RIC, documento que unificará os dados do cidadão, utilizando a biometria como método, diminuindo assim a possibilidade de fraudes na área de falsidade ideológica. “São muitas coisas que não vemos no dia a dia e acabamos não analisando o documento em si. Vi detalhes óbvios que temos de analisar e tudo que ele mostrou foi novo, pois estou a pouco tempo no cartório e estou aprendendo agora”, afirmou Juliana Gonçalves Alencar, auxiliar no 1º Tabelionato de Barueri.

Luiz Gabriel iniciou sua palestra pela parte de documentoscopia, apresentando as diversas informações sobre a estrutura dos documentos e formas de falsificação, com isso mostrava a todos como identificar algo que se mostra normal, destacando linhas, impressões e os brasões de cada Estado. Para ele são três tipos de falsificação: a falsificação material, a adulteração e a montagem.

O perito e professor, Luiz Gabriel Passos, responsável pelo curso de Grafotecnia

“As cédulas de identidade que são roubadas ou furtadas entre os outros documentos, voltam para o mercado negro da fraude e são adulteradas, por exemplo, por meio da troca de foto”, revelou o perito. Diante disso alertou: “temos um provimento que veda a aceitação de identidade replastificada. Sendo justo ou injusto, vocês não devem aceitar e isso evita que passem as que são falsas”.

O palestrante destacou a análise de documentos pela nitidez dos brasões que cada Estado tem e que devem estar legíveis com a lupa. “Mesmo o brasão nítido, se não houver as linhas verdes olhando com a lupa, é falso”, alertou o palestrante. Luiz Gabriel falou ainda sobre a análise dos fabricantes do papel que compõe o documento, pois papéis distintos em cada lado não são sinônimos de fraude.

“Foi uma oportunidade que meu chefe me deu, para eu aprimorar o conhecimento e tirar as dúvidas do dia a dia. Com o curso minhas dúvidas diminuíram, gostei da palestra e ele parece dominar bem a matéria. Ensinando os detalhes do RG, nos ajuda a fazer um trabalho melhor em meio a rapidez do balcão”, comentou Stanley Guimarães, auxiliar no 3º Tabelionato de Notas de Mogi das Cruzes

Mais de 95 pessoas participaram da última edição do curso em 2009

Após listar as estruturas, Passos falou a todos que analisassem sempre as fotos, que podem apresentar resquícios de corte ou cola e a impressão digital, explicando as diferenças entre a tinta correta e a tinta de carimbo, muito utilizada pelos falsários para a impressão digital. “Por mais que haja alguns erros em relação a isso no Brasil, normalmente as impressões digitais são nítidas, se estiver borrada é indício de falsificação”, comentou.

Outro item mostrado como importante no momento de checar a veracidade da identidade são as perfurações no documento, contendo as siglas dos institutos de identificação. Em seguida passou para a breve análise do novo modelo nacional digitalizado, quem não vem plastificado, “é aberto para que vocês possam identificar os mecanismos de seguranças, como o autorrelevo”, ensinou Passos.

CNH e assinaturas

Após o almoço, Luiz Gabriel iniciou a parte sobre a análise da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e seus dispositivos de segurança, tanto as novas quanto as antigas. Passos lembrou que muitos preferem falsear a CNH por conter três identificações em um só documento e detalhou como os falsários podem imitar o auto-relevo ou até mesmo reutilizá-los, apenas aproveitando a parte central.

O palestrante ensinou a todos as ténicas de analise da dinâmica da escrita

Para Paulo Talarico de Bastos, escrevente no 4º Tabelionato de Osasco, “o curso foi muito esclarecedor em alguns pontos, principalmente sobre o RG. Muitos detalhes ajudam em nossa noção geral, como por exemplo, a análise dos brasões. Também as datas de modelos antigos e siglas de cada estado nas perfurações”.

Um dos itens a ser notado para checar a veracidade da CNH é a impressão das fotos. Analisando com a lupa, de acordo com o perito, é possível detectar a disposição dos pigmentos, que devem ser organizados na horizontal, na vertical, diagonal, ou formando uma rede. Se dispostos de forma desordenada, indica falsificação com impressão de nova foto.

Na segunda parte do curso, Luiz Gabriel passou para a parte de Grafotécnica, descrevendo os modos de análise; forma, dinâmica, qualidades gerais e movimento. Mostrou a sutil diferença entre assinaturas escritas com canetas e aquelas que são digitalizadas. “A caneta esferográfica é muito mais segura que a tinteiro para preencher declarações a próprio punho”, afirmou Passos.

Luiz Gabriel mostrou detalhadamente a diferença entre assinatura escrita e digitalizada

O perito alertou disse que “ao assinar, use sua caneta e faça pressão, pois a tinta pode ser adulterada, mas os sulcos que são feitos não saem do papel”. Foram apresentados casos de fraude em assinaturas e como identificá-los por meio dos quatro indícios. Os presentes foram alertados por Passos que em suas atividades não se deve misturar amizade com as atividades profissionais, alertando que sempre é necessário analisar o cartão. “O dever funcional de vocês é utilizar sempre a ficha de firma. Se houver diferença de forma ou dinamismo, a assinatura deve ser recusada”

A auxiliar no 1º Tabelionato de Barueri, Rafaela Rodrigues de Moraes, confirma que “já tivemos outros cursos e ele esta abordando muitos pontos que não foram abordados, tanto em relação à documentoscopia como grafotecnia. Gostei muito e quando ele falou sobre as linhas finas na identidade fiquei atenta, pois não ensinaram antes”.

Em seguida enumerou as qualidades gerais da escrita e os movimentos específicos feitos por cada um, que o falsário não consegue notar e, automaticamente, imitar. Ao fim, alertou a todos para não facilitem, criando assinaturas universais – definidas pelo palestrante como “aquela que diz tudo e não diz nada, somente um rabisco que cabe em qualquer nome” -, pois toda a assinatura deve conter “um número mínimo de elementos gráficos e ser minimamente veloz”, disse.